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Voo da madrugada: propagandas e materiais ilegais serão investigados

  
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O Ministério Público Eleitoral (MP Eleitoral) e o Tribunal Regional Eleitoral em Alagoas (TRE/AL) alertaram os promotores eleitorais para que seja evitado o uso de “Voo da madrugada”, ou seja, qualquer propaganda ilegal e/ou material impresso, referente à campanha política, durante a madrugada do dia que antecede a eleição.

 

As orientações foram passadas durante uma reunião preparatória para a eleição, entre os promotores, juízes eleitorais, chefes de cartórios eleitorais e policiais rodoviários federais, na tarde desta sexta-feira (28), na sede da Escola Superior de Magistratura de Alagoas (Esmal).

De acordo com a assessoria de Comunicação do Ministério Público Federal (MPF), em pauta, a procuradora regional eleitoral Raquel Rodrigues Maciel Teixeira repassou instruções normativas aos promotores eleitorais, a respeitada independência funcional, para fiscalização das eleições nas respectivas zonas eleitorais, especialmente no que se refere à fiscalização de propaganda ilegal, condutas vedadas e captação ilícita de sufrágio, sobretudo, na apuração de delitos eleitorais às vésperas e no dia da eleição.

Com a participação de juízes e chefes de cartórios eleitorais objetivou-se esclarecer sobre a atuação ministerial, bem como elucidar dúvidas comuns ao período que antecede ao pleito.

“Voo da madrugada” – Na reunião, o MP Eleitoral apresentou a Instrução Normativa PRE/AL nº 01/2018, de 25 de setembro de 2018, aos promotores eleitorais do Estado de Alagoas, para que promovam as necessárias medidas para verificar e coibir a ocorrência da prática denominada “voo da madrugada”, bem como a distribuição de todo tipo de material impresso que configure propaganda eleitoral irregular, por afronta à legislação.

Na instrução normativa, a procuradora regional eleitoral alerta os promotores para que instruam suas equipes a evitarem formulários/relatórios de fiscalização genéricos ou incompletos, ou que englobem candidatos que não correspondam ao material fotográfico correlato e que orientem as equipes para que as fotografias (elemento de prova de maior importância) dos “santinhos” e qualquer outro tipo de material propagandístico impresso, espalhados em ruas e calçadas, possibilitem, de fato, visualização nítida dos candidatos (as) beneficiados (as) com o ilícito.

Os promotores eleitorais foram orientados ainda a instaurarem Notícia de Fato ou Procedimento Preparatório Eleitoral constando nome, número e Partido do(a) candidato(a), especificando-se dia, hora e local em que o ilícito foi constatado, bem como estimativa do quantitativo dos “santinhos derramados”, ou de qualquer outra forma de propaganda eleitoral impressa (adesivos, folders, folhetos, cartazes, volantes etc), tudo em acordo com o descrito no formulário/relatório de fiscalização.

Acessibilidade – Também na reunião, a procuradora regional eleitoral Raquel Teixeira informou aos promotores sobre a expedição da Instrução Normativa PRE/AL nº 02/2018, de 25 de setembro de 2018, para que os promotores eleitorais adotem as medidas necessárias para garantir o direito à acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida aos locais de votação e às seções eleitorais nas Eleições Gerais de 2018 (primeiro e segundo turno, se houver).

A medida visa assegurar os direitos das pessoas com deficiência a participar efetiva e plenamente da vida política e pública, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, assegurados pela Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, bem como a Lei Brasileira de Inclusão (Estatuto da Pessoa com Deficiência).

Ainda de acordo com a instrução normativa, os promotores são orientados a buscarem garantir o livre exercício do direito ao voto, em especial quanto à possibilidade da pessoa com deficiência ser auxiliada na votação por pessoa de sua escolha, sendo-lhe permitido, inclusive, digitar os números na urna, e que fiscalizem o inteiro cumprimento da Resolução TSE n. 23.381/2012, a qual dispõe sobre o Programa de Acessibilidade da Justiça Eleitoral.

Por último, o MP Eleitoral informa que os candidatos, partidos e coligações, assim como qualquer eleitor, ao verificar a ocorrência do ilícito eleitoral, tanto poderão encaminhar denúncia via aplicativo PARDAL, Sala de Atendimento ao Cidadão (SAC) do MPF, como também poderão dirigir-se diretamente à Promotoria ou ao Juiz Eleitoral a fim de que este adote as providências cabíveis, no âmbito do poder de polícia, para fazer cessar imediatamente o ilícito.

 

*Com Ascom MPE

Jogadora Marta é recebida com festa pelos moradores de Dois Riachos

Marta disse, visivelmente emocionada, que “era uma satisfação muito grande retornar a sua terra”

↑ Marta foi a Dois Riachos e postou foto ao lado de familiares e amigos (Foto: Reprodução / Instagram)

A jogadora de futebol Marta foi recebida com festa pelos moradores da sua cidade natal, Dois Riachos, no interior de Alagoas, nesta quinta-feira (27). Nos vídeos divulgados no Instagram da jogadora, Marta percorre o município em cima de um caminhão do Corpo de Bombeiros, exibindo o troféu de melhor jogadora do mundo, recebido na segunda-feira (24), e postou foto ao lado de familiares e amigos, inclusive ao lado da mãe, Tereza Vieira.

“Voltar a minha terra é sempre emocionante”, diz a jogadora em um dos vídeos desta quinta na rede social. Marta Vieira da Silva, de 32 anos de idade, foi eleita pela sexta vez a melhor jogadora de futebol do mundo, é a camisa 10 da seleção brasileira e do Orlando Pride, dos Estados Unidos, e quebrou um jejum de sete anos sem conquistar o maior prêmio individual dado pela Fifa, levantando o troféu “The Best” na cidade de Londres.

Com a sexta conquista de melhor jogadora do mundo, a alagoana Marta superou, inclusive, o argentino Lionel Messi e o português Cristiano Ronaldo, ambos com cinco troféus de melhor jogador de futebol do mundo.

Falando ao microfone para a população de Dois Riachos, Marta disse, visivelmente emocionada, que “era uma satisfação muito grande retornar a sua terra”. Sob aplausos, o público presente começou a entoar o canto: “Marta é a melhor do mundo, Marta seu futebol é tudo”.

Em Penedo

Marta também esteve na cidade de Penedo, na noite dessa quarta-feira (26), para prestigiar a homenagem recebida pelo seu amigo Carlinhos Maia, celebridade alagoana nas redes sociais. O evento aconteceu no Teatro Sete de Setembro, no centro histórico do município, onde Carlinhos recebeu a comenda Grã Cruz da Ordem do Barão de Penedo.

“Obrigado ao Carlinhos pelo carinho e por representar tão bem a nossa terra, Alagoas, e a sua cidade, Penedo”, falou Marta no Instagram. Além de Marta, o evento também contou com a presença da cantora Daniela Mercury.

Carlinhos Maia alcançou o sucesso no Instagram com vídeos retratando o seu cotidiano, os moradores de Penedo e sua família.

Fonte: Autor: Rívison Batista

Torcidas e história das arquibancadas contra Bolsonaro

 

O futebol como representação da nacionalidade brasileira é essencialmente democrático. Ao se manifestar contra o fascismo, as torcidas organizadas traduzem o sentimento popular das arquibancadas.

Por Osvaldo Bertolino*

  
Uma das mais significativas manifestações de repúdio às propostas da chapa Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão a presidente e vice-presidente da República é a das torcidas organizadas de futebol. Como disse Gabriel Cohn, sociólogo e professor da USP, não é possível entender o Brasil sem ter os fundilhos das calças puídos pelas arquibancadas. Por elas passam a mais expressiva diversidade do povo brasileiro, uma tendência que ganhou impulso com a Revolução de 1930, liderada por Getúlio Vargas, que abriu as portas da modernidade para o Brasil das grandes massas. 

A Revolução de 1930 começaria a mudar a face elitista do futebol. É significativa a constatação de que dois jogadores que seriam os maiores ídolos da “era Vargas”, Leônidas da Silva e Domingos da Guia, têm a marca do negro brasileiro. E que, mais tarde, dois negros, Pelé e Garrincha, lideraram o ciclo de ouro do futebol brasileiro. A “era Vargas” abriu as portas para uma nova manifestação cultual brasileira. O reflexo disso no futebol pode ser visto nas páginas esportivas dos jornais, nos textos de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e José Lins do Rego. 

No prefácio do livro Copa Rio Branco: 32, de Mario Filho, José Lins do Rego escreveu: “Os rapazes que nos representaram, triunfalmente, em Montevidéu, eram no fundo um retrato da nossa democracia social, onde Paulinho, filho de uma família importante, se uniu ao negro Leônidas da Silva, ao mulato Gradim, ao branco Martim. Tudo feito à boa moda brasileira. Lendo este livro sobre futebol, eu acredito no Brasil, nas qualidades eugênicas dos nossos mestiços, na energia e na inteligência dos homens que a terra brasileira forjou, com sangues diversos, dando-lhes uma originalidade que será um dia o espanto do mundo.”

O nosso estilo nacional e suas representações sobre o povo, que o escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues chamou de “homem brasileiro”, no campo do futebol ainda são pouco estudados pelo chamado pensamento social. Eles revelariam muito do que somos como nação — à boa moda brasileira, no dizer de José Lins do Rego. Não foi por mera coincidência que nessa época surgiu, para deslumbre mundial, a habilidade dos jogadores negros e mestiços, nos marcos da afirmação efetiva da nacionalidade brasileira. Getúlio Vargas tinha a percepção de que o futebol poderia ter papel importante na unidade e na consolidação de uma identidade do país. 

Desconfiança dos intelectuais

A conquista da Copa de 1958 representou sua consolidação como identidade nacional. As pessoas podiam até não saber quem tinham sido José Bonifácio, Frei Caneca e Tiradentes, mas sabiam quem eram Didi, Pelé, Garrincha e Vavá. O bicampeonato mundial de 1962 ampliou essa representação, mas o futebol nunca superou os traços de preconceito intelectual. Em uma crônica de 1965, Nelson Rodrigues escreveu: “Há três dias aconteceu no Maracanã a batalha entre o Brasil e a Bélgica. Todos os brasileiros mortos e vivos estavam lá. Defuntos de algodão nas narinas atravessavam as borboletas. Tinham pulado os muros do além para torcer. Só um brasileiro faltou: o sociólogo. Entre cento e tantos mil patrícios, não vi uma única e escassa flor da sociologia.” 

O dilema sobre o papel cultural do futebol no Brasil é antigo. Nelson Rodrigues interpretou um tempo diferente. Graciliano Ramos, em texto de abril de 1921 publicado no jornal O Índio, da cidade alagoana de Palmeira dos Índios, disse que o futebol não pegaria como esporte de massa no Brasil porque havia uma diferença gigantesca entre os sertanejos e os habitantes das cidades. 

“As cidades regurgitam de gente de outras raças ou que pretende ser de outras raças; nós somos mais ou menos botocudos, com laivos de sangue cabinda e galego. Nas cidades, os viciados elegantes absorvem o ópio, a cocaína, a morfina; por aqui há pessoas que ainda fumam limba. Nas cidades assiste-se, cochilando, à representação de peças que poucos entendem, mas que todos aplaudem, ao sinal da claque; entre nós, há criaturas que nunca viram um gringo. Nas cidades há o maxixe, o tango, o fox-trote, o one-step e outras danças de nomes atrapalhados; nós ainda dançamos o samba. Estrangeirices não entram facilmente na terra do espinho. O futebol, o boxe, o turfe, nada pega”, disse ele.

Eça de Queiroz também via um certo tipo de brasileiro das cidades com pouco identidade nacional. “No Brasil, as cidades eram cabeças de ponte do mundo moderno. Grupos urbanos procuravam aproximar-se o máximo possível dos exemplos europeus de organização econômica, estrutura social, atitudes e modo de viver. Os brasileiros se habituaram a consumir comida estrangeira, a usar remédios patenteados para curar suas moléstias, a perfumar-se com novas essências, a encher suas casas com móveis estranhos e novidades em artigos sanitários, a iluminar as casas sem o uso do óleo, a ir e a retornar da cidade mais rapidamente, a vestir-se à moda estrangeira e a adotar novos tipos de divertimentos, tudo porque os europeus davam o exemplo”, escreveu.

Ele atribuía o fenômeno à ostensiva presença dos ingleses no mundo. “Estão em toda parte, esses ingleses! Porque, por mais desconhecida e inédita que seja a aldeoa onde se penetra, por mais perdido que se ache num obscuro canto do Universo o regato ao longo do qual se caminhe, encontra-se sempre um inglês, um vestígio de ingleses!”, escreveu. Para ele, os confins do mundo estavam recebendo o seu Times ou o seu Standart e formando a sua opinião não pelo que viam ou ouviam ao redor de si, mas pelo artigo escrito em Londres. “A alma voltada sempre para trás, para o home; abominando tudo o que não é inglês, e pensando que as outras raças só podem ser felizes possuindo as instituições, os hábitos, as maneiras que os fazem a eles felizes na sua ilha do Norte”, disse.

Hibridação do samba

Em 1921, Lima Barreto escreveu: “Quando não havia futebol, a gente de cor podia ir representar o Brasil em qualquer parte. Mas apareceu o futebol dirigido por um ‘ministreco’ enfatuado e sequioso de celebridade, logo tal esporte bretão, de vários modos, cavou uma separação idiota entre os brasileiros. É a missão dele. De modo que ela, a tal separação, não existe no Senado, na Câmara, nos cargos públicos, no Exército, na magistratura, no ministério; mas existe no transcendente futebol. Benemérito futebol. E ainda dizer-se que o governo dá gordas subvenções aos perversos de semelhante brutalidade, para eles insultarem e humilharem quase a metade da população do Brasil — é o cúmulo! E note-se que o dinheiro que o governo lhes dá, provém de impostos que todos pagam, brancos, pretos e mulatos. Dinheiro não tem cheiro, afirmava Vespasiano.”

Lima Barreto via o esporte como coisa essencialmente estrangeira. “O futebol é coisa inglesa, ou nos chegou por intermédio dos arrogantes e rubicundos caixeiros dos bancos ingleses, ali, da Rua da Candelária e arredores, nos quais todos nós teimamos em ver lordes e pares do Reino Unido”, escreveu ele na obra Feiras e Mafuás. A sentença de Lima Barreto não era errada. Na fase em que o futebol se implantou por aqui – entre 1894 e 1920 –, o povo não tinha vez. Para entrar em campo, negros tomavam banho de pó-de-arroz – como foi o famoso caso de Carlos Alberto, que atraiu para o Fluminense o apelido que conserva até hoje. 

Em 1922, o mesmo Lima Barreto, já balançado pela popularização do futebol, relatou: “O futebol flagela também aquelas paragens como faz o Rio de Janeiro inteiro. Os clubes pululam e os há em cada terreno baldio de certa extensão. Nunca lhes vi uma partida, mas sei que as suas regras de bom tom em nada ficam a dever às dos congêneres dos bairros elegantes. A única novidade que notei, e essa mesmo não me parece ser grave, foi a de festejarem a vitória sobre um rival, cantando os vencedores pelas ruas, com gambitos nus, a sua proeza homérica com letra e música de escola dos cordões carnavalescos. Vi isso só uma vez e não garanto que essa hibridação do samba, mais ou menos africano com o futebol anglo-saxão, se haja generalizado nos subúrbios. Pode ser, mas não tenho documentos para tanto afiançar.”

Até o sisudo historiador Capistrano de Abreu se rendeu à crescente mobilização popular em torno do futebol. Em carta dirigida à senhora Assis Brasil, ele no Rio de Janeiro e ela no Rio Grande do Sul, escrita às vésperas do jogo contra os uruguaios pelo Campeonato Sul-Americano no Rio de Janeiro em 1919, ele disse: “O grande acontecimento desse aldeão é o foot-ball. O Brasil só tem pela frente o Uruguai. Vencerá? (…) Nunca assisti a uma partida, não posso fazer ideia de como é, e os termos técnicos soam-me aos ouvidos como a mais arrevesada das gírias; mas enquanto for independente de socorros federais ou municipais, contará com minhas simpatias incondicionais o jogo de foot-ball.”

O inglês Brasileiro

Na etapa seguinte, o futebol acompanhou a abertura para os que vinham de baixo proporcionada pela Revolução de 1930. Apareceram Fausto – a “maravilha negra” – e Leônidas da Silva –, o “diamante negro”. O futebol brasileiro iniciou a sua trajetória para o sucesso quando, no começo do século XX, começou a deixar os clubes grã-finos e a espalhar-se por várzeas e agremiações populares. Depois da Revolução de 1930, emergiu com toda a sua arte. Como o futebol, que se profissionalizou em 1933, a literatura e a música popular ganharam impulso e também viveram a sua “fase de ouro”.

Leônidas da Silva foi o Getúlio Vargas do futebol. Na Copa de 1938, ele brilhou e transformou-se no primeiro “garoto propaganda” do futebol brasileiro – anunciando uma marca de cigarro e o chocolate “Diamante Negro”, criado em alusão ao seu apelido. Na década de 1930, cerca de 50 mil pessoas, em média, assistiram aos fla-flus (Flamengo e Fluminense). O futebol transformou-se em esporte de massa.

O futebol-arte, que já em 1925 deslumbrou a Europa com a excursão do clube Paulistano, no qual jogava o craque Arthur Friedenreich – o time disputou dez jogos e voltou invicto –, começou a aparecer como característica brasileira e tocou o auge com a conquista da Copa de 1958. “Hoje, com a nossa impecabilíssima linha disciplinar no Mundial, verificamos o seguinte: o verdadeiro, o único inglês é o brasileiro”, afirmou Nelson Rodrigues, fazendo um contraponto às palavras de Lima Barreto em Feiras e Mafuás.

Futebol e o drama de Aristóteles

Antes, na Copa de 1950, o Brasil passou por um trauma definido por Nelson Rodrigues como uma “catástrofe nacional”. “Cada povo tem a sua irremediável catástrofe nacional, algo assim como Hiroxima. A nossa catástrofe, a nossa Hiroxima, foi a derrota frente ao Uruguai, em 1950”, escreveu. A dimensão desta “catástrofe” pode ser medida pela decisão do goleiro Barbosa, que nunca mais quis voltar ao gramado do Maracanã. “Muita gente entrou para a história. Eu jamais sairei da história do futebol brasileiro por causa daquele jogo, em 16 de julho de 1950”, afirmou. “No Brasil, a pena maior é de 30 anos; eu fui condenado à prisão perpétua”, lamentou. O escritor Carlos Heitor Cony escreveu: “Deixei de acreditar em Deus no dia em que vi o Brasil perder a Copa do Mundo (de 1950) no Maracanã”.

João Saldanha, em sua crônica intitulada “Pelo Cano”, publicada dia 23 de março de 1982 no Jornal do Brasil, escreveu: “Nosso único produto interno bruto que dá é o futebol. Falam no carnaval. Nada disto. Faça um desfile de escolas por semana e no fim de um mês a sociedade brasileira pedirá por amor de Deus para pararem.” Mas ninguém sintetizou melhor o futebol brasileiro do que o escritor Nelson Rodrigues em sua clássica crônica sobre a famosa partida entre Santos e Milan pelo mundial interclubes de 1963. “O que procuramos no futebol é o drama, é a tragédia, é o horror, é a compaixão. E o lindo, o sublime, na vitória do Santos é que atrás dela há o homem brasileiro, com o seu peito largo, lustroso, homérico”, escreveu.

À alusão a teoria clássica do drama, estabelecida por Aristóteles, Nelson Rodrigues agregou que a vitória do Santos valeu pela vitória do homem brasileiro. O cronista aplicou a mesma lógica quando interpretou o significado do “escrete nacional” defendendo as cores brasileiras nas competições internacionais. Para ele, nessas ocasiões a pátria se apresenta em calções e chuteiras. Na sua ideia, o que está implicado é o sentido moderno da palavra nação. Ou seja: uma comunidade política que, para existir, precisa ser corporificada por signos que representem os laços de pertencimento e solidariedade.

Complexo de vira-latas

Nelson Rodrigues entendia que o “escrete” fazia a nação se realizar plenamente. Em uma crônica de 1970, por exemplo, ele afirmou que os jogos da Seleção são as únicas ocasiões “em que todos se lembram do Brasil, em que 90 milhões de brasileiros descobrem o Brasil”. E provocou: fora as esquerdas, que acham o futebol o ópio do povo, todos os outros brasileiros se juntam em torno da Seleção. O “escrete”, nas competições internacionais, era o “mito” da nação brasileira, revelando por intermédio dele as qualidades do agente representado, o homem brasileiro.

Essa formulação começou a se desenvolver com a conquista da Copa do Mundo de 1958, quando, segundo Nelson Rodrigues, a Seleção Brasileira venceu o complexo de vira-latas. Ele não menciona, mas é preciso considerar alguns aspectos já então incorporados ao futebol brasileiro — como a criação de um estilo próprio de jogar. A influência de elementos da cultura negra, como o samba e a capoeira, era uma marca da identidade do mencionado “homem brasileiro”. Numa de suas crônicas, Nelson Rodrigues elegeu o negro Didi como símbolo da vitória brasileira.

Ele explicou bem o significado daquela conquista. “Já ninguém mais tem vergonha da sua condição nacional. E as moças na rua, as datilógrafas, as comerciárias, as colegiais, andam pelas calçadas com um charme de Joana d’Arc. O povo já não se julga mais um vira-latas. Sim, amigos: o brasileiro tem de si mesmo uma nova imagem. Ele já se vê na generosa totalidade de suas imensas virtudes pessoais e humanas”, escreveu. 

Futebol lúdico e dionisíaco

Com a conquista de 1958, não era só a imagem de Didi que se transformava. Era, sobretudo, a imagem que o brasileiro fazia de si próprio. “A partir desse mundial, o brasileiro começa a ter uma nova imagem de Didi. Repito: passa a ver Didi como um homem de bem. Pois nós sabemos que nenhum escrete levanta um campeonato do mundo sem extraordinárias qualidades morais. De nada adianta o futebol se o homem não presta. O belo, o comovente, o sensacional do triunfo de ontem está no seguinte: foi, antes de tudo, o triunfo do homem”, escreveu. Pelé e Didi, que além de virtuoses da bola, mostraram ser também bravos, sérios e responsáveis como os europeus.

Essa mesma definição ganhou formas mais sofisticadas quando o Brasil conquistou o bicampeonato mundial em 1962. As magistrais atuações de Garrincha fizeram Nelson Rodrigues dizer que ele jogou um futebol lúdico e dionisíaco. Em uma crônica antológica, na qual comenta o jogo final contra a Tchecoslováquia, ele se concentra nos minutos finais, quando Garrincha, depois de um espetáculo em campo, parou diante de alguns adversários.

“É de arrepiar a cena. De um lado, uns quatro ou cinco europeus, de pele rósea como nádega de anjo; de outro lado, feio e torto, o Mané. Por fim, o marcador do brasileiro, como única reação, põe as mãos nos quadris como uma briosa lavadeira. Num simples lance isolado, está todo o Garrincha, está todo o brasileiro, está todo o Brasil. (…) O homem do Brasil entra na história com um elemento inédito, revolucionário e criador: a molecagem. Aqueles quatro ou cinco tchecos, parados diante de Mané, magnetizados, representavam a Europa. Diante de um valor humano insuspeitado e deslumbrante, a Europa emudecia, com os seus túmulos, as suas torres, os seus claustros, os seus rios”, escreveu.

Pombos de Mané Garrincha

As crônicas de Nelson Rodrigues não são teses produzidas com a objetividade do trabalho acadêmico. São parte do mundo do futebol, escritas no calor dos fatos comentados. Os leitores eram as mesmas pessoas que iam aos estádios, que acompanhavam os jogos, que conversavam sobre futebol. Ele foi um cronista de uma época em que o Maracanã recebia freqüentemente mais de 100 mil torcedores, marca hoje raríssima. Chegou a afirmar que a idéia de multidão nasceu no Brasil com a construção do Estádio Mário Filho (nome oficial do Maracanã, homenagem ao seu irmão, o também jornalista Mário Rodrigues Filho). Segundo ele, nem o enterro do Barão de Rio Branco reuniu mais gente do que o Mário Filho para um Fla-Flu.

A respeito de Pelé, Nelson Rodrigues vaticinou-lhe a grandeza em crônica de 1957, quando o garoto começava a brilhar no Santos. Em março de 1958, três meses antes da Copa, publicou a crônica “A realeza de Pelé”, na qual profetizou a conquista do título porque agora, com o rei que dribla os adversários como “quem afasta um plebeu ignaro e piolhento”, os “inimigos tremerão”. Para ele, Pelé era o “sublime crioulo”.

Garrincha também inspirou o cronista. O pacato ponta-direita do Botafogo, a quem os “pombos da Cinelândia e os pardais do Boulevard 28 de Setembro chamam de ‘nosso irmão, o Mané’”, seria um predestinado a manter o futebol brasileiro em evidência e a chacoalhar o país, acordando-o para sua grandeza. O Brasil seria outro se nós, brasileiros, fôssemos como o “anjo das pernas tortas” dentro do campo. Garrincha carregou a Seleção para o bicampeonato no Chile, em 1962, e o cronista escreveu: “Deslumbrante país seria este, maior que a Rússia, maior que os Estados Unidos, se fôssemos 75 milhões de Garrinchas”.

Futebol e ditadura

Na Copa de 1970, o ciclo iniciado em 1958 chegava ao fim. Ao som daquela musiquinha que, segundo João Saldanha, dizia que o negócio era para frente mas andava para trás, a Seleção Brasileira conquistou o tri no México. O título foi transformado em propaganda do regime militar. Antes do embarque, o comunista João Saldanha foi afastado do comando da Seleção. Em seu lugar assumiu Zagallo, o ponta-esquerda do time campeão na Copa de 1958, que teria aceitado a convocação de Dario, o Dadá Maravilha, por imposição do presidente Médici.

Em 1974, a Seleção Brasileira mostrou os sinais visíveis de que aquele ciclo se encerrara. Na Copa de 1978, na Argentina, o poder autoritário que ainda mandava no país deu o tom. Os dirigentes da CBD eram todos militares ligados ao regime. O presidente era o almirante Heleno Nunes, que dispensou o competente e humilde Osvaldo Brandão para entronizar o capitão Cláudio Coutinho como técnico. Osvaldo Brandão falava a linguagem dos jogadores, que era a do povo; o capitão falava a língua do regime.

Voltou a se manifestar também o velho problema do racismo – que a rigor nunca desaparecera. Quando Seleção de Coutinho desembarcou na Argentina, um repórter lhe perguntou: “¿Pero, dónde están los negritos? Cuando Brasil venia com unos negros bicudos jugava bien; ahora vienen unos rubios de pelo largo y no juegan nada”. Mas eram também tempos de contestação à ditadura militar inclusive no futebol.

Em outubro de 1977, o presidente do Fluminense, Francisco Horta, disse que a causa da decadência do futebol era a sua militarização. Às vésperas da Copa de 1978, o centroavante do Atlético Mineiro, Reinaldo, defendeu a anistia, as eleições diretas e uma melhor “divisão do bolo”. Dois dias depois, o almirante Heleno Nunes, presidente da CBD, disse que Reinaldo não iria à Argentina. Foi, mas sob severa vigilância. Desde então, o futebol perdeu um pouco do seu sentido lúdico, com a entrada do mundo totalitário do capital em campo, mas nunca deixou de ser um esporte essencialmente popular. 


 *Osvaldo Bertolono é jprnalista, escritor e editor do Porta Grabois.

O que cada candidato propõe para a política internacional

 

Os cinco primeiros colocados nas pesquisas eleitorais: Jair Bolsonaro, Fernando Haddad, Ciro Gomes, Marina Silva e Geraldo Alckmin. O que consta no plano de governo de cada um em relação à política internacional e às relações exteriores para o próximo governo?

Por Alessandra Monterastelli

Jair Bolsonaro, Fernando Haddad, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Marina SilvaJair Bolsonaro, Fernando Haddad, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin e Marina Silva
Jair Bolsonaro

As propostas para a política externa presentes no plano de governo do Partido Social Liberal (PSL), com a chapa Jair Bolsonaro presidente e general Mourão vice, intitulam-se “O Novo Itamaraty”, e são compostas apenas por oito itens. 

O documento começa dizendo que o Ministério das Relações Exteriores precisa estar a serviço de “valores que sempre foram associados ao povo brasileiro”, sem citar tais valores. Também defende fomentar o comércio exterior com países que possam agregar valor econômico e tecnológico ao Brasil, mas sem citar quais países seriam esses; dará ênfase a acordos bilaterais, mas não diz quais.

O documento afirma que “ditaduras assassinas” deixarão de serem louvadas, apesar de Jair Bolsonaro argumentar que a ditadura militar no brasil não foi violenta. Democracias “importantes”, como a dos Estados Unidos, Israel e Itália, “deixarão de ser atacadas”. A integração com os “irmãos latino-americanos” que estejam livres de supostas “ditaduras” será aprofundada. 

Fernando Haddad

O plano de política externa que consta no plano de governo do Partido dos Trabalhadores (PT), encabeçado pela chapa Fernando Haddad presidente e Manuela d’Ávila vice, intitula-se “SOBERANIA NACIONAL E POLÍTICA EXTERNA ALTIVA E ATIVA”. O termo “altiva e ativa” foi criado por Celso Amorim, chanceler dos governos Lula e Dilma. Ele defendia que o Brasil se colocasse como atuante e ativo no cenário internacional, o que acarretou na participação do país no BRICS e sua expoente participação no cenário internacional. 

Sobre isso, consta no documento: “A política externa ativa e altiva abriu novos mercados e parcerias estratégicas com países em desenvolvimento, e promoveu a expansão dos interesses nacionais em áreas geográficas antes praticamente abandonadas pela diplomacia do período neoliberal, como Oriente Médio, África e o sul da Ásia”.

São reservadas cerca de duas páginas para a política externa; junto com o plano de governo de Ciro Gomes, são os que reservam maior espaço para o tema. “O tempo presente impõe o desafio de refundar e aprofundar a democracia no Brasil na contramão do avanço do conservadorismo no cenário internacional, do autoritarismo na América Latina, do neoliberalismo e da intolerância no Brasil”, começa o documento. 

Segundo o plano do PT, a crise do capitalismo é responsável por um “profundo impacto negativo” sobre o Brasil e toda a América Latina. A resposta desses países seria a de “aprofundar os ataques contra os direitos políticos e sociais das classes trabalhadoras, e, no plano externo, aprofundar as agressões imperialistas contra a soberania nacional dos países economicamente mais frágeis e desencadear as guerras de pilhagem contra alguns países, especialmente os detentores de importantes reservas de petróleo”. 

O documento ainda aponta que o governo de Michel Temer adotou uma política externa “passiva e submissa”, caracterizada por “desconstrução da integração regional, desinvestimento na vertente geoestratégica Sul-Sul, abandono da aposta em um mundo multipolar e da postura equilibrada e negociadora em conflitos regionais, destruição dos núcleos estratégicos da indústria de defesa, submissão da política de defesa aos interesses norte-americanos e alienação do patrimônio público estratégico a empresas estrangeiras”. 

Os acordos comerciais feitos com países desenvolvidos criariam obstáculos para que governos nacionais e progressistas pratiquem políticas autônomas de desenvolvimento. A chapa argumenta que as mudanças no cenário internacional, com foco na Administração de Donald Trump nos Estados Unidos, mostram um esvaziamento dos organismos multilaterais e maior ênfase “à velha política de poder de ações unilaterais”. Isso, segundo o documento, apresenta grandes riscos, como “exacerbação de conflitos e ações militares unilaterais, mas também cria aberturas para um mundo mais multipolar, menos submetido à influência hegemônica de um polo de poder”. 

Após essa introdução, a chapa propõe que o Brasil deve retomar e aprofundar a política externa de integração latino-americana e a cooperação sul-sul, especialmente com a África, de modo a apoiar o multilateralismo, a busca de soluções pelo diálogo e o repúdio à intervenção e a soluções de força. 

O documento trás como ponto central o fortalecimento dos BRICS para reforçar o protagonismo dos países em desenvolvimento na agenda internacional. “O mundo precisa de paz. A política externa do governo Lula foi marcada pela construção da paz”, afirma o item. A assinatura do acordo nucelar com o Irã, mediada pelo Brasil e pra Turquia, além do reconhecimento do Estado da Palestina, são citados como exemplos de gestos corajosos e que incentivam o diálogo e a paz.

Serão fortalecidas, em um possível governo do PT, iniciativas como o Fórum de Diálogo Índia, Brasil e África do Sul (IBAS) e os BRICS, “que levaram à mudança de padrão nas negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC) e à transformação do G-8 no G-20”. O plano considera ambos essenciais para “criar um mundo mais equilibrado e menos dependente de um único polo de poder, de modo a superar a hegemonia norte-americana”. O governo Haddad estará, segundo o documento, empenhado também em promover a reforma da ONU, em particular do Conselho de Segurança, assim como dos instrumentos de proteção aos Direitos Humanos no plano internacional e regional. Propõe-se também que o Brasil contribua para os avanços na formulação e participação no Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), “que possui potencial para ser um dos maiores bancos de desenvolvimento do mundo”. Por fim, defende-se que o Brasil fortaleça as relações de amizade e parceria com a África, “continente-mãe da Nação brasileira”, e com os países árabes, “com os quais mantemos interesses comuns e relações amistosas”.

“O Presidente Lula é referência mundial no combate à fome e à pobreza. O governo Haddad fortalecerá o diálogo mundial pela construção da paz e retomará a cooperação nas áreas de saúde, educação, segurança alimentar e nutricional, entre outras, em especial com países latinos e com a África. O Brasil também voltará a ter presença ativa no Sistema Internacional de Direitos Humanos”, promete o item do partido.

Ciro Gomes

Dentro do item doze no plano de governo do Partido Democrático dos Trabalhadores (PDT), que tem como chapa Ciro Gomes para presidente e Kátia Abreu como vice, há um subitem reservado para a política externa. 

“A política exterior precisa servir a nossos interesses e a nossos valores”, começa o artigo, para ampliar, “através de um projeto nacional de desenvolvimento”, o espaço nas negociações políticas e comerciais globais, “incluindo aquelas que se referem a mudanças climáticas e ao desenvolvimento sustentável”. Nesse plano, os acordos comerciais devem priorizar o acesso a novas tecnologias e mercados. 

O plano do PDT também defende que uma potência emergente como o Brasil precisa fortalecer sua posição dentro da ordem mundial existente em colaboração com seus parceiros e amigos. “O Brasil é necessariamente potência revisionista: não se contenta com uma ordem global que estreita a margem para os experimentos e as inovações institucionais exigidos pelo projeto nacional de desenvolvimento”; segundo o plano, a política exterior brasileira “deve ser mais do que independente, ela deve ser transformadora”. Há uma defesa para o máximo de abertura econômica e cultural. 

O documento também dá ênfase para a importância de reforçar a relação com os outros BRICS e a união com os outros países da América Latina (por meio do Mercosul, da União Sul-Americana): “Um dos melhores instrumentos que temos para trabalhar pela revisão da ordem atual do mundo é o movimento BRICS”. Além disso, o projeto defende o fortalecimento da relação com os Estados Unidos, por meio de parcerias com grandes empresas de tecnologias norte-americanas, para promover inovação produtiva, científica e tecnológica. Este item ressalta: “para poder construir tais parcerias com os Estados Unidos, o Brasil precisa ganhar independência dos Estados Unidos em tecnologias de comunicação e defesa. Para ser parceiro, não pode ser protetorado”. 

O plano de Ciro Gomes também dá foco às relações do Brasil com a China e com a África. No caso da China, defende o “desenvolvimento e reconstrução” da relação, “condicionando o avanço da presença chinesa no Brasil à colaboração com nosso governo e nossas empresas na qualificação produtiva e tecnológica, inclusive de nossa agricultura, pecuária e mineração”. Ressalta a “recusa à relação neocolonial, quer com a China quer com os Estados Unidos”.

Em relação à África, o projeto propõe a “reconstrução de nossa relação com a África em bases generosas que façam justiça à condição do Brasil como maior país africano fora da África e que deixem de atrelar nossa política africana aos interesses de empreiteiras”. 

Cada acordo com cada país deverá “servir ao objetivo de colocar o Brasil no rumo da economia do conhecimento não só na manufatura avançada, mas também nos serviços intelectualmente densos e na agricultura de precisão”. Além disso, defende-se o “estímulo ao debate nacional” em relação a posição do Brasil no mundo. 

Marina Silva

O plano de política externa da Rede, com a chapa Marina Silva presidente e Eduardo Jorge vice, possui uma página e meia dedicada ao assunto dentro do plano de governo, intitulada “POLÍTICA EXTERNA COMO POLÍTICA DE ESTADO”. “A política externa deve ser uma política de Estado, orientada por princípios e valores, como a defesa dos direitos humanos, da democracia, da autodeterminação dos povos e da não-intervenção, sem sujeição a relativizações de cunho ideológico” lê-se no documento.

O documento exalta que, em um governo da Rede, a política externa teria como principais pilares o compromisso com o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, a promoção da paz e da cooperação internacional. O documento defende o reforço dos laços com a ONU e outros organismos multilaterais e regionais, além do ingresso do Brasil no Conselho de Segurança. 

Para a chapa, a política externa deve ser “realista e transformadora”, “sem viés ideológico”. Para tanto, o Brasil deve estar “cada vez mais conectado às regiões e correntes dinâmicas da economia mundial e às cadeias globais de valor”, abdicando do protecionismo. O item defende a modernização do Mercosul para depois negociar eventuais parcerias com a União Europeia, além de avançar na relação com a Aliança do Pacífico. 

Defende-se a promoção do aumento da interdependência econômica, tecnológica, política e cultural entre a América do Sul, América do Norte, União Europeia e Leste Asiático. Existe uma atenção especial para os laços com as regiões e sub-regiões do mundo com forte desenvolvimento tecnológico, como o Vale do Silício nos EUA e a Baviera na Alemanha. 

A África também aparece como um destaque. “Nosso esforço externo tem de ancorar-se firmemente na África, continente em rápido crescimento econômico e demográfico. Com os irmãos africanos, nossa perspectiva não deve ser de uma falsa ‘ajuda’, mas sim de parceria”. O plano defende a criação de um “ambiente favorável” para que empresas brasileiras participem do “processo de transformação produtiva” e do “desenvolvimento sustentável” da África.

Geraldo Alckmin

Com apenas nove páginas, o plano de governo do PSDB, com a chapa Geraldo Alckmin presidente e Ana Amélia vice, possui somente um item de oito linhas destinado à política internacional. O documento diz que o Brasil irá defender “vigorosamente os valores que prezamos internamente, como a democracia e os direitos humanos, em especial na América do Sul”. Promete que a gestão da Amazônia, “bioma compartilhado com nações amigas”, receberá especial atenção, e o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável “são grandes ativos do Brasil”, sem especificar quais políticas seriam adotadas para tanto.


Do Portal Vermelho

 
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Rosa Weber diz que suspeitas sobre as urnas são ‘descoladas da realidade’

Possibilidade de fraude foi levantada pelo candidato Jair Bolsonaro

↑ (Foto: Ilustração)

A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Rosa Weber, afirmou que acusações de falta de segurança nas urnas eletrônicas são “descoladas da realidade”. A ministra falou com jornalistas antes da sessão da Primeira Turma da Corte. As declarações foram divulgadas na página oficial do TSE.

“As pessoas são livres para expressar a própria opinião. Mas, quando essa opinião é desconectada da realidade, nós temos que buscar os dados da realidade. Para mim, as urnas são absolutamente confiáveis”, afirmou.

Em vídeo, o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) denunciou suposta possibilidade de fraude na votação de outubro com voto eletrônico por falta de comprovante impresso em tordas as urnas. O voto eletrônico seria, nas palavras dele, “o caminho para o poder” do PT. Bolsonaro, contudo, não apresentou indícios ou fatos para endossar a afirmação.

A presidente do TSE destacou que a legislação eleitoral permite a representantes de candidaturas participar de processos de fiscalização como as auditagens. Contudo, Rosa Weber lembrou que, em geral, representantes das candidaturas não comparecem nesses momentos. “Ninguém vai lá para ver. Me parece que há uma confiança”, comentou.

A ministra citou como exemplo o pleito de 2014. Após o resultado que terminou com a vitória de Dilma Rousseff (PT), o partido de seu adversário, o PSDB de Aécio Neves, levantou a possibilidade de fraude. Após um exame de cerca de um ano, não foi constatada qualquer alteração externa ou problema no sistema de votação.

As urnas eletrônicas são utilizadas desde 1996 no Brasil. O país foi pioneiro na adoção deste tipo de tecnologia, segundo o TSE.

Fonte: Agência Brasil / Texto: Jonas Valente

JHC denuncia ao MP suposta prática de cadastro eleitoral na capital e no interior

Deputado diz ter estranhado várias casas com o mesmo adesivo de candidato

↑ Reunião com chefia do Ministério Público ocorreu nesta segunda (Foto: Assessoria do Ministério Público de Alagoas)

O Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE/AL) recebeu, na manhã desta segunda-feira (17), o deputado federal João Henrique Caldas (JHC), que procurou a instituição para denunciar suposta prática de cadastro eleitoral para as eleições deste ano. O subprocurador-geral administrativo institucional, Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, no exercício da chefia do órgão ministerial, comprometeu-se a reforçar com os promotores de justiça que estão atuando nesse processo eleitoral para que intensifiquem a fiscalização em suas cidades, de modo que esse tipo de crime possa ser coibido.

No encontro, que aconteceu no prédio-sede do Ministério Público, o deputado JHC disse que vem estranhando o fato de, em muitos bairros de Maceió, dezenas de casas estarem com o mesmo adesivo de candidato. “Está claro que cabos eleitorais estão passando por esses bairros e fazendo cadastro. Numa mesma rua, todos moradores possuírem candidato igual é, no mínimo, suspeito. É uma casa ao lado da outra com a mesmo adesivo. E quando você questiona a comunidade, percebe, nas respostas, que algo está errado”, contou.

O deputado federal também revelou que, quando esteve recentemente em São Miguel dos Campos e União dos Palmares, foi informado por vários eleitores que há candidatos propondo o cadastro, que é uma forma de compra de votos. “Só em São Miguel dos Campos, a notícia que nos chegou é que existem 40 deles fazendo isso”, acrescentou.

Apesar de suas declarações, JHC disse que ainda não consegue oferecer ao Ministério Público elementos concretos que possam garantir a comprovação de suas denúncias. “É muito difícil a gente conseguir provar esse tipo de crime, mas, como o Ministério Público é um órgão de fiscalização e controle, e possui instrumentos legais para investigação, resolvi procurá-lo”, disse ele.

Diante das informações recebidas, o subprocurador-geral administrativo institucional, Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, informou ao deputado que medidas serão adotadas no sentido de coibir essa prática ilícita. “O Ministério Público Estadual atua nas eleições de forma supletiva, já que atuar como Ministério Público Eleitoral é uma atribuição do Ministério Público Federal. Então, nós vamos comunicar esse fato à procuradora da República Raquel Teixeira, que é a representante do MPF no MP Eleitoral, e discutir ações urgentes de fiscalização contra esse tipo de crime”, garantiu.

“Em paralelo, também vamos expedir recomendação a todos os promotores de justiça que estão atuando nessas eleições para que fiquem atentos e redobrem os cuidados”, acrescentou Márcio Roberto Tenório de Albuquerque, que aproveitou a reunião para informar que todos os municípios alagoanos terão um representante do Ministério Público Estadual atuando durante o pleito deste ano.

Também participaram da reunião o promotor de justiça José Antônio Malta Marques, coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça (Caop), o promotor José Carlos Castro, coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público, e o promotor de justiça Almir Crescêncio, chefe de gabinete do MPE/AL.

Fonte: Assessoria do Ministério Público de Alagoas

Ibope: Bolsonaro tem 26% e Haddad empata com Ciro, Marina e Alckmin

 

Pesquisa Ibope divulgada nesta terça (11) mostra que, entre as candidaturas mais competitivas, apenas Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) apresentaram crescimento. Na última pesquisa, realizada entre 1 e 3 de setembro, o militar da reserva tinha 20% das intenções de voto; agora tem 26%. Já o ex-prefeito de São Paulo, que só teve o nome oficializado na disputa nesta terça, saiu de 6% para 8% e está tecnicamente empatado com Ciro Gomes (PDT), Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB).

  
Ciro caiu de 12%, para 11%; Marina, de 12% para 9%; Alckmin permaneceu com 9%. Atrás deles, aparecem empatados Alvaro Dias (Podemos), Henrique Meirelles (MDB) e João Amoêdo (Novo), com 3%. Tecnicamente, eles também estão empatados com Cabo Daciolo (Patriota) e Vera Lucia (PSTU), com 1%, e Guilherme Boulos (PSOL), João Goulart Filho (PPL) e Eymael (DC), que não pontuaram. 

A pesquisa mais recente, que foi realizada entre 8 e 10 de setembro, entrevistou 2.002 eleitores e tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. 

O levantamento começou a ser realizado, portanto, dois dias após a agressão a Bolsonaro, durante ato de campanha em Juiz de Fora, e oito dias após o início do horário eleitoral. A propaganda, contudo, não ajudou Alckmin, que ocupa 40% do espaço destinado aos candidatos na televisão e no rádio, mas aparece estagnado na pesquisa. Já o candidato do PSL, apesar de possuir apenas oito segundos na propaganda obrigatória, ganhou muito espaço na cobertura da mídia após o ataque. 

Rejeição

De acordo com o Ibope, rejeição de Bolsonaro caiu três pontos percentuais em relação à última pesquisa e está em 41%. Marina oscilou negativamente dois pontos e registra 24% de rejeição. Haddad manteve o mesmo patamar, com 23%. Alckmin teve queda de três pontos, de 22% para 19%. 

Henrique Meirelles, Cabo Daciolo, Eymael, Guilherme Boulos e Vera apresentaram o mesmo percentual: 11%. Empatados tecnicamente com estes candidatos aparecem João Amoêdo, com 10%, e Álvaro Dias, com 9%. João Goulart Filho tem 8% de rejeição. Os eleitores que poderiam votar em todos candidatos somaram 2%; não souberam ou preferiram não opinar, 11%.

Segundo turno

Nas simulações de segundo turno, Ciro venceria de Bolsonaro, com 40% contra 37%; Alckmin também ganharia, com 38% contra 37%. Já Marina empataria com Bolsonaro, com 38%, e Haddad perderia do militar da reserva, com 36% contra 40%. 




 Do Portal Vermelho

EUA e militares da Venezuela planejaram golpe contra Maduro

Autoridades americanas teriam se reunido secretamente com oficiais militares venezuelanos no ano passado, mas Washington teria declinado do apoio

↑ Nicolás Maduro (Foto: Reprodução)

Autoridades dos EUA se reuniram secretamente com oficiais militares venezuelanos com o objetivo de planejar um golpe contra o presidente venezuelano, Nicolas Maduro.

A informação foi confirmada à rede de televisão americana CNN por dois funcionários do governo americano.

As autoridades americanas teriam se reunido com os militares rebeldes da Venezuela diversas vezes no ano passado, após oficiais venezuelanos terem feito contato. Mas, segundo as fontes ouvidas pela CNN, Washington acabou decidindo contra o apoio ao golpe.

“Os EUA não forneceram apoio aos oficiais venezuelanos e os planos para o golpe acabaram por se desfazer”, disseram as fontes.

As discussões do governo Donald Trump com os oficiais militares venezuelanos sobre um possível golpe foram relatadas pela primeira vez na manhã de sábado (8) pelo New York Times. Atuais e antigos funcionários dos EUA confirmaram à CNN o relato.

A Casa Branca não respondeu ao pedido de posicionamento. No entanto, o presidente Donald Trump discutiu anteriormente a possibilidade de uma opção militar na Venezuela.

“Temos muitas opções para a Venezuela. E, a propósito, não vou descartar uma opção militar”, disse Trump, em agosto passado.

Questionado sobre a possibilidade de uma intervenção militar em resposta à crescente crise no país, o presidente disse que é algo que os EUA “certamente poderiam seguir”.

Tomar uma ação militar contra a Venezuela seria uma escalada dramática da resposta tão diplomática e focada nas sanções dos EUA até a crise política e econômica que assola o país sul-americano.

Em agosto de 2017, Trump chegou a questionar diversos consultores sobre a possibilidade de invadir a Venezuela, informou à CNN em julho.

Fonte: R7

Entre o Gabinete e o acompanhamento de obras, vereadores estão juntos

O vereador-presidente Mário Siqueira da Silva acompanha serviços e obras no município.

    Uma liderança firme, que atenta as demandas da população faz uma jornada de trabalho que vai do burocrático até as ruas para acompanhar os serviços e obras executados pela municipalidade. O vereador-presidente – Mário Siqueira da Silva, verificou (in loco) o Projeto: Pró Estrada, que está asfaltando e deixando o município de Santana do Ipanema com um, aspecto belíssimo nas suas principais avenidas. O Edil, entende que a sua função vai além do Gabinete e sempre está a defender o bom andamento dos trabalhos, e cobrar para que todos tenham a mesma desenvoltura no seus mandatos.

      Sempre acompanhado por seus correligionários, tem buscado dar visibilidade a “Casa Tácio Chagas Duarte”, sede do Poder Legislativo.

 

Por: Assessoria

Alexandre Santini: Incêndio no Museu Nacional é metáfora do Brasil

 

A destruição do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro pelas chamas de um incêndio ocorrido neste domingo (2) é um símbolo do que está acontecendo no Brasil, declarou Alexandre Santini, diretor do Teatro Popular Oscar Niemeyer em Niterói. “É uma metáfora da destruição do Brasil e não é só na área da cultura”, declarou ao Portal Vermelho.

Por Railídia Carvalho

Reprodução
  
“Após o golpe de 2016 (que levou Michel Temer à presidência), quando tentaram extinguir o Ministério da Cultura, a reação da cultura foi marcante. O incêndio no museu é um recado simbólico que precisamos renascer dessas cinzas construindo um novo projeto para o Brasil porque o projeto de hoje é de destruição”.

Santini lembrou que na gestão do ex-presidente Lula e do ministro Gilberto Gil a política de museu do Brasil virou referência. “É assustador ver essa situação de hoje para um país que avançou tanto. Criou o Sistema Brasileiro de Museus, criou cursos de museologia, virou referência mundial”.

Ele criticou a fala do atual ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, que indiretamente atribuiu a responsabilidade à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “O ministério da cultura é o responsável institucional. Além de tentar politizar atribuindo a governos anteriores, ele coloca como se a responsabilidade não fosse dele”.

Orçamentos precários

Gestor cultural, ator e dramaturgo, Santini conversou com o Vermelho um pouco antes de participar de ato nesta segunda-feira (3) na Cinelândia para denunciar o corte de recursos para o museu nos últimos anos. 

“A notícia abalou profundamente a todos nós. Nem consegui dormir. Nem sou da área de museu mas dirijo um equipamento de cultura e sei que todos nós lidamos um pouco com os limites da responsabilidade, as condições nessa área são precárias”, enfatizou.

Outras tragédias

De acordo com informações da Ong Contas Abertas, divulgada pelo G1, desde 2015 foram gastos R$ 5.936 nas áreas de proteção, segurança e socorro no Museu Nacional. De um orçamento de 1 milhão em 2011 o equipamento recebeu 98 mil até agosto deste ano.

“Estamos sempre apertados, no limite para conseguir desenvolver o trabalho mas o corte no repasse de verbas não é um problema isolado, não é somente do Museu Nacional. E essa diminuição do gasto público pode fazer com que tragédias como essa se tornem rotina no Brasil”, alertou.

Museu Nacional, um programa popular

Ao lado da tragédia política, cultural e científica o museu também é um perda afetiva para a população do Rio de Janeiro, explicou Santini. A localização em um bairro ocupado por classes populares e o acesso próximo à estação de trem fazia da visita ao Museu um programa popular. 

“Não tem criança na capital ou região metropolitana que não tenha ido ao museu levada pelos pais. O incêndio deixou todo mundo abalado”.



Do Portal Vermelho

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