Depois de um tempo sem escrever nesse espaço, segue um texto próprio.
A prisão do ex-presidente Lula aprofundou dramaticamente a crise na qual estamos metidos. Não apenas por retirar da disputa um ex-presidente da república e o candidato com maior intenções de voto. Mas por ser a expressão da visão punitivista e autoritária que tenta a passos largos suplantar o Estado Democrático de Direito e as garantias previstas na constituição de 88.
A redução do debate nacional e dos problemas do país à questão da corrupção justifica arbitrariedades, captura setores da sociedade produzindo polarizações e funciona como uma venda para problemas e questões mais graves. Mas essa não é a única “causa” que possui tais consequências.
Parte significativa da crise só pode ser entendida a partir da compreensão de que o Brasil está sob ataque de uma Guerra Híbrida[1]. Não se trata de teoria da conspiração como alguns possam pensar. Essa é a realidade do mundo tal qual ele é. A velha estratégia de “dividir para conquistar” é empregada pelos mais diversos meios, sem se abrir uma guerra direta contra o país, apenas desestabilizando-o.
A ausência de uma defesa do Brasil para esses tipos de ações, em grande medida pela subestimação do papel que o país desempenha no cenário internacional, faz com que elas ocorram ostensivamente. Aqui se fez terreno aberto, a exemplo da influência de interesses externos por meio de Ongs, especialmente na região amazônica[2], e de recente matéria na Folha de São Paulo que propagandeava um programa de incentivo a “novas Marielles” financiado pelas Fundações Ford, Open Society e Ibirapitanga[3].
No geral, se instrumentaliza causas defensáveis e importantes que podem ser identificadas por segmentos da sociedade. Aproveitando as profundas desigualdades e injustiças que ainda marcam nosso país, impõe-se a lógica do antagonismo, opondo cada vez mais grupos distintos, fragmentados em torno de causas que se tornam particulares.
É evidente que uma sociedade melhor deve buscar o combate à corrupção, promover a igualdade de direitos entre todos, independente de gênero, cor, orientação sexual e religião. Mas não são essas as causas principais que movem uma sociedade, muito menos isoladamente. Elas fazem parte de um projeto maior, de rumo e destino de uma nação.
Não ao acaso pesquisas feitas sobre o que mais preocupa a população apontam os mesmos temas: saúde, segurança, emprego e educação[4]. A imensa maioria do povo preocupa-se com as condições de vida, de sobrevivência. Mas infelizmente, o debate público está tomado por pautas e polarizações induzidas, as quais pouco dizem ou preocupam a maioria da população.
Não há saída para a atual crise sem se construir uma ampla unidade em torno da defesa do Brasil, de seu desenvolvimento e de melhores condições de vida para a população. Não se trata apenas de unidade em torno de categorias como “esquerda” ou “centro”, que fora da realidade se tornam termos vazios de sentido prático. É preciso construir unidade em torno do que é essencial, longe do que nos divide enquanto povo.
Notas:
1 – Ver “O Brasil no epicentro da Guerra Híbrida” de Pepe Escobar.
2 – Ver entrevista do General Villas Bôas para a Folha de São Paulo em 2013.
3 – Ver matéria “‘País trata a Amazônia como colônia’, diz comandante militar“.
4 – Ver matéria sobre pesquisa Datafolha.
